Projeto visa mapear em detalhes o fundo dos oceanos

Três bilhões de dólares é muito dinheiro para gastar em um mapa. Mas se trata de um mapa de dois terços da superfície da Terra e, portanto, o custo por quilômetro quadrado de aproximadamente US$8,30, não é tão elevado.
 
E fazer esse mapa com esse custo é um projeto ambicioso da General Bathymetric Chart of the Oceans (GEBCO). A GEBCO, uma organização sem fins lucrativos com sede em Mônaco, iniciou suas atividades em 1903. Seu objetivo, como o nome sugere, é mapear o fundo de todos os oceanos. Até agora, só concluiu menos de um quinto da tarefa em detalhes. Mas o mapeamento do fundo do mar teve progressos irregulares ao longo dos últimos anos. Assim, com a ajuda da Nippon Foundation, a GEBCO pretende terminar sua missão em 2030.
 
A superfície dos oceanos da Terra é duas vezes e meia maior do que o tamanho de Marte, sendo que a superfície de Marte é a mais bem explorada das duas. A Agência Espacial Europeia demorou poucas horas para encontrar o local da queda da sonda Schiaparelli em Marte. Por sua vez, ainda não se descobriu o lugar onde o avião MH370 desapareceu no oceano Índico em 2014.
 
Em razão da atmosfera fina de Marte, a exploração do planeta por um satélite em órbita é mais fácil do que explorar centenas ou milhares de metros de água, a partir de um satélite equivalente em órbita ao redor da Terra. Apesar da transparência da água, o mar absorve a luz com tanta intensidade, que abaixo de 200 metros a escuridão é total.
 
Os marinheiros fazem sondagens desde tempos imemoriais, para localizar a presença de obstáculos e evitar que as embarcações encalhem. Os equipamentos antigos consistiam em uma linha de prumo, uma corda com um peso de chumbo preso na extremidade, que media a profundidade da água. A palavra “sondagem” não tem ligação etimológica com a palavra som, eco ou algo semelhante (origina-se do inglês antigo sund, que significava mar ou estreito). Hoje, a profundidade do mar é medida por meio do ecobatímetro, que calcula o tempo decorrido entre a emissão de um sinal acústico em direção ao fundo e a recepção de seu eco a bordo do navio.
 
Marie Tharp e Bruce Heezen da Universidade de Columbia, em Nova York, foram os pioneiros no uso dessa técnica nas décadas de 1950 e 1960, com a utilização da tecnologia desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial. Com esse equipamento, eles mapearam parte da Dorsal Mesoatlântica, uma cadeia de montanhas abaixo do nível do mar.
 
Além da mera curiosidade, um mapa preciso do fundo do mar pode ajudar a abrir os dois terços desconhecidos da superfície da Terra à atividade econômica. A Marinha de vários países também se interessa pelo projeto, porque um mapa acurado do fundo do mar poderia indicar locais adequados para as embarcações se esconderem e, ao mesmo tempo, mostrar onde os navios e submarinos inimigos poderiam estar escondidos. Mas não está claro se a GEBCO pretende divulgar as informações de suas pesquisas ao público em geral.
 
 
Fonte: Opinião e Notícia